1. SEES 31.10.12

1. VEJA.COM
2. CARTA AO LEITOR  UM APARENTE PARADOXO
3. ENTREVISTA  EDSON DE GODY BUENO  EM BUSCA DA BAIXA RENDA
4. MALSON DA NBREGA  DE VOLTA S TREVAS ORAMENTRIAS
5. LEITOR
6. BLOGOSFERA
7. EINSTEIN SADE  LPUS: VRIAS DOENAS EM UMA

1. VEJA.COM
EDITADO POR KTIA PERIN kperin@abril.com.br

QUEM FALA CONVENCE
Muito se fala da importncia  alis, enorme  de saber escrever. Afinal, uma vrgula no lugar errado pode ser fonte de problemas e desentendimentos na vida pessoal e profissional. Mas igualmente importante  falar bem. Um discurso claro e no tom certo  uma arma de persuaso poderosa.  a chamada lbia, que garante o triunfo da paquera, a venda daquele projeto em uma reunio de trabalho ou o voto do eleitor em uma campanha poltica. No  toa, estudiosos se debruam sobre o tema h sculos. Desde Aristteles, na Grcia antiga, at os marqueteiros polticos de hoje, so muitos os que se dedicam a analisar a retrica. Reportagem no site de VEJA conta a histria dessa arte quase esquecida e ensina os truques para quem deseja se impor no gog, no tribunal, no escritrio, na mesa de bar.

MEMORIAL VEJA
Maior dramaturgo brasileiro, Nelson Rodrigues completaria 100 anos em 2012. Luiz Gonzaga, aquele que est para o forr como Elvis Presley est para o rock, tambm. J o mineiro Carlos Drummond de Andrade, estandarte da poesia nacional, faria 110. Os trs se encontram no Memorial VEJA, espao dedicado a lembrar, com textos, vdeos, fotos e grficos, os grandes personagens da cultura brasileira. A seo estreia na quarta-feira.

A FOTOGRAFIA CONTRA ASSAD
O uso de sites como YouTube, Facebook e Twitter tem sido uma grande arma de ativistas srios contra o regime de Bashar Assad. VEJA.com conversou com os responsveis pelo grupo Jovens Lentes de Homs, formado por dez fotgrafos. Eles percorrem os vrios bairros da cidade e registram a vida de civis e rebeldes do Exrcito Srio Livre, que combatem as tropas do governo. Depois do registro feito, colocam todo o material em redes sociais.

A SEMANA DO ENEM
No prximo fim de semana, 5,7 milhes de estudantes enfrentam o desafio acadmico do ano: o Enem. Depois de tanta preparao, no se pode descuidar dos detalhes. VEJA.com ouviu professores, psiclogos, nutricionistas e at advogados para saber quais os cuidados necessrios nos dias que antecedem a avaliao  e no prprio fim de semana do exame. Eles lembram o que  imprescindvel levar no dia da prova, do orientaes para aumentar a concentrao e cuidar da alimentao e do sono e ensinam at o que fazer caso a organizao da avaliao apresente problemas, como j ocorreu em edies passadas.


2. CARTA AO LEITOR  UM APARENTE PARADOXO
     Uma reportagem desta edio de VEJA se detm diante de um aparente paradoxo. Apesar de o Brasil ocupar apenas a 130 posio no ranking anual Doing Business, que classifica 185 pases por seu bom ambiente de negcios  o que nos deixa nas imediaes de Uganda, Etipia e Qunia , somos o sexto maior receptor de investimentos estrangeiros do mundo. Com 60 bilhes de dlares estimados para o fim de 2012, o pas fica atrs somente de China, Estados Unidos, Hong Kong, Frana e Reino Unido. Como se explica a coexistncia de fenmenos to dspares no Brasil?
     O primeiro impulso  concluir que os investidores esto mal informados sobre a insanidade burocrtica, o labirinto fiscal, a ingerncia exagerada do governo na economia e a fria legiferante, realidades que nos equiparam aos pases mais hostis  atividade produtiva. No. Os investidores sabem muito bem as dificuldades de se estabelecerem no Brasil. A concluso correta  que eles vm para c apesar de todos os obstculos.
     O Brasil tem o agronegcio exportador mais produtivo do mundo, tem minrio, petrleo, mas, principalmente, tem um grande mercado interno, que agregou no decorrer da ltima dcada 40 milhes de novos e vidos consumidores. Eles so a garantia de demanda aquecida. O governo no perde uma chance de reafirmar que, para ter acesso sem barreiras aos consumidores brasileiros,  preciso fabricar no Brasil. Por isso, mais de 40% dos dlares investidos no pas miram o mercado consumidor de produtos ou servios. Seguindo o caminho da Peugeot Citron, Toyota, Honda e Hyundai, a alem BMW anunciou na semana passada que vai erguer uma fbrica em Araquari, no norte de Santa Catarina. O entrevistado das Pginas Amarelas desta edio, Edson de Godoy Bueno, da Amil,  o exemplo mais recente no setor de sade. Ele vendeu parte de sua empresa a um grupo americano por mais de 6 bilhes de reais.
     Com tanta coisa a favor,  de imaginar o salto de qualidade de vida que o Brasil daria a sua populao se capinasse a selva burocrtica, racionalizasse a cobrana de impostos e incinerasse as resmas de leis inaplicveis ou inteis. Mudaria de patamar econmico. Livre desses entraves  atividade produtiva, o Brasil certamente sairia do ltimo vago dos pases de ambiente empresarial inspito para disputar um lugar de locomotiva.


3. ENTREVISTA  EDSON DE GODY BUENO  EM BUSCA DA BAIXA RENDA
Depois de vender parte da Amil por 65 bilhes de reais, Edson Bueno quer avanar agora entre os mais pobres, mesmo que seja preciso oferecer exames de madrugada.
MALU GASPAR

A venda de 60% da operadora de planos de sade Amil para a americana UnitedHealth Group dever produzir uma mudana radical nesse mercado no Brasil.  o que prev Edson de Godoy Bueno, de 69 anos, filho de uma dona de casa e de um caminhoneiro que migrou para o Rio de Janeiro para estudar medicina, fundou a Amil e se tornou um dos maiores bilionrios brasileiros. A estratgia da United para o Brasil  crescer entre o pblico de baixa renda  um desafio e tanto, uma vez que os planos carregam a pecha de oferecer um servio caro e ruim. Bueno, que continuar no comando pelos prximos cinco anos, diz que, para cumprir a meta, ter de mudar a cultura dos pacientes. O brasileiro de classe mdia, quando vai para um hospital, no quer nem ouvir falar em enfermaria. Essa mentalidade  equivocada. O paciente precisa  de um bom atendimento, no do melhor quarto, afirma. No futuro divisado por ele, para cortar custos e aumentar a produtividade, valer at marcar exames de madrugada.

O senhor passou os ltimos cinco anos comprando empresas. Qual  a sensao de ser comprado? 
No comeo, no foi fcil. Eu sempre fui o controlador de todas as minhas empresas e nunca gostei de dividir as decises. Por isso, eu pensava, primeiro, que iria vender s um pedacinho, mas depois me convenci de que seria melhor para a Amil que eu vendesse a maior parte e ficasse minoritrio. Percebi que, se continuasse no controle, seria difcil que os americanos nos repassassem todas as tecnologias. Afinal, a United fatura 115 bilhes de dlares, vinte vezes mais do que ns. Nos Estados Unidos, 90% dos consultrios usam o software deles, mesmo no sendo conveniados com a United. Eles tm 80 milhes de clientes. Ns, os maiores do Brasil, temos apenas 5 milhes. Para continuar crescendo, precisamos da expertise deles e rpido. Estou com 69 anos, no tenho mais muito tempo a esperar. Com o negcio, penso estar criando uma empresa melhor, maior. Assim, serei sempre reconhecido.

 verdade que a United j havia desistido uma vez de comprar a Amil, depois de fazer due diligence (auditoria) nas contas da empresa? 
No. Eles nunca fizeram due diligence. A primeira tentativa no deu certo porque eles queriam pagar pouco. Quando concordamos sobre o preo, vendi. E acho que fiz um timo negcio. Nem imaginava conseguir tanto.

Como o senhor convenceu os americanos a pagar mais? 
Eles sabem que o Brasil  um pas de oportunidades, onde h muito por ser feito. Todas as empresas, de todos os setores, esto de olho em ns. Basta dizer que 80% dos americanos tm plano de sade, enquanto s 25% dos brasileiros tm. H muito espao para crescer. Acredito ser possvel chegar a 100 milhes de usurios, o que significaria dobrar o alcance dos planos para 50% da populao. Chegar primeiro a esse mercado era fundamental para a United. Eles nos escolheram por sermos os maiores e tambm para aprender como operar com hospitais, clnicas e laboratrios prprios. Agora, outras estrangeiras viro, e isso vai revolucionar o setor.

Os planos da United funcionam em coparticipao (o cliente paga uma parte da consulta). No Brasil, esse tipo de plano  malvisto pelos clientes... 
Eu dei uma declarao a esse respeito outro dia que pegou mal, mas fui mal compreendido. Deixe-me explicar. Imagine um aposentado saudvel que se levanta da cama com tempo de sobra. Ele faz o qu? Vai a mdicos. Se for hipocondraco? Vai a mdicos. H ainda gente que quer se internar toda hora sem indicao mdica.  de 25% a 30% o ndice de exames laboratoriais a que os pacientes se submetem e depois nem pegam o resultado. Assim no  possvel fechar as contas. Parece que estou depreciando os clientes, mas estou falando de eficincia. A coparticipao  um sistema mais eficiente e justo, pois cobra do paciente uma taxa que desestimula a ida ao consultrio sem necessidade, mas no impede o atendimento quando necessrio. Na coparticipao, para cada real pago pelo cliente, o plano economiza trs. Aumentando a produtividade,  possvel melhorar o atendimento sem aumentar custos.

Os planos de sade so vistos como um servio que cobra caro e atende mal. A ANS acaba de suspender a venda de vrios deles, e a prpria Amil foi campe de reclamaes no Procon de So Paulo. Por que  to difcil atender bem? 
Essa  uma imagem injusta. A grande maioria dos planos atende bem e no enfrenta reclamaes. O problema, mesmo, est nos planos individuais. Quem no vende plano individual no tem problema de atendimento. A legislao no Brasil  feita de tal maneira que d ganho de causa a algum que se interna em um hospital e, fraudulentamente, pede ao mdico uma guia com data de dois dias antes. Os planos pagam essas despesas. A quantidade de liminares e fraudes nesse ramo  uma loucura. A Amil  campe de reclamaes simplesmente porque  a maior. Se o panorama legal no mudar, poderemos at deixar de vender planos individuais.

Mas os clientes entendem esse lado comercial dos planos? 
 uma questo cultural. Quando estive nos Estados Unidos, acompanhei o filho de um amigo que estava internado no Childrens Hospital de Harvard. O garoto estava na enfermaria e eu fiquei sentado em uma cadeira. Ningum achou nada de mais. O brasileiro de classe mdia, quando vai para o hospital, no quer nem ouvir falar em enfermaria. Essa mentalidade  disseminada no Brasil. O paciente precisa  de um bom atendimento, no do  melhor quarto. Quanto custa um quarto? Ora, vamos ser pragmticos. Quem usa indevidamente o sistema impe custos extras a todos os pacientes. Vamos usar esse dinheiro para termos os melhores mdicos e as melhores enfermeiras.

Os mdicos dos planos de sade entraram em greve, em protesto contra os baixos pagamentos. Eles ganham mal? 
Ns procuramos sempre pagar mais. Quem vende planos baratos paga mal. Os mdicos em greve so justamente os desses planos. Ns pagamos 65 reais a consulta. Tem gente que paga 35, 40.

O senhor no acha pouco 65 reais por uma consulta mdica? 
Poderia ser mais, claro, mas  adequado para os nossos produtos. Ns temos planos premium que permitem aos clientes ir a mdicos mais caros. Pagando mais, o cliente tem acesso a consultas com profissionais do alto padro dos hospitais Einstein e Srio-Libans, de So Paulo. No h outra maneira de pagar melhor os mdicos a no ser cobrando mais dos clientes.

Os brasileiros mais ricos j tm plano de sade. Como lev-lo aos mais pobres?
Oferecer qualidade ao cliente mais pobre no  impossvel. Mas o conceito de qualidade, para o rico,  diferente do conceito do pobre. O rico quer convenincia, o pobre quer assistncia. Nossa ideia para a baixa renda  ter, em cada cidade, algumas poucas unidades-ncora que centralizem os servios, com mquinas trabalhando dia e noite. Um tomgrafo, que dura apenas cinco anos e funciona s at as 6 ou 7 da noite, poder estar disponvel 24 horas.

Os clientes tero de fazer exames de madrugada? 
Sim. No h mal algum nisso. Ao criar produtos para essa faixa de renda,  preciso considerar que, se o paciente no quer esperar um ms para fazer um exame, talvez tenha de faz-lo  noite e at de madrugada. Na Inglaterra e no Canad, mesmo os ricos esperam at um ano e meio para fazer uma operao eletiva. No Brasil, se um plano mdico demora cinquenta ou sessenta dias para autorizar um procedimento cirrgico, o mundo vem abaixo. Os hospitais esto cheios, no  possvel atender a todos o tempo inteiro.  melhor esperar para fazer cirurgias eletivas do que no faz-las. Para atenderem muita gente a preos mdicos, os planos de sade vo oferecer menos comodidades.

Outro segmento que vai pressionar os custos dos planos de sade so os idosos. A populao com mais de 60 anos vai triplicar at 2050. 
 verdade. Quem descobrir tcnicas para tratar os mais velhos com menos custos ser o vencedor nesse mercado. Ns temos de ser especialistas em envelhecimento, e o caminho passa por preveno e tecnologia. Os principais planos j comearam a fazer isso. Eles monitoram a sade dessas pessoas muito de perto com profissionais especializados, para diminuir o nmero de internaes e melhorar a qualidade de vida.

O senhor fez vrios cursos em Harvard, mas no comeo ia para l sem falar ingls. Como foi a experincia? 
Sempre tive muita dificuldade com lnguas. Mas, quando decido fazer alguma coisa, vou at o fim. Aos 40 anos, decidi aprender ingls s para ir para Harvard. Contratei um britnico e estudei dezoito horas por dia, e mesmo assim no consegui aprender. Ento fui para os Estados Unidos e frequentei um curso para estrangeiros durante quatro meses. Ao mesmo tempo, inscrevi-me no programa para presidentes de empresas de Harvard. Confesso que achei que ia ser mais fcil. Eu ia aos jantares com os colegas e no entendia nada. S falava yes, yes, yes. Nas aulas, eu me escondia atrs de um colega alto e grande para que os professores no me chamassem. Tnhamos de ler 100 pginas por dia, e eu no conseguia passar de dez, mesmo com o dicionrio ao lado. Foi um fiasco. No ano seguinte, consegui o material, mandei traduzir tudo e estudei com antecedncia. Aos poucos, fui aprendendo. Continuo falando mal, com muito sotaque e erros de gramtica, mas me comunico.

Com a venda da Amil, o senhor vai desacelerar? 
De jeito nenhum. Sei que no sou normal, trabalho mais do que qualquer pessoa na companhia. Mas gosto disso. Com a mudana, devo trabalhar ainda mais. Fico por mais cinco anos na empresa, com o compromisso de escolher um sucessor. Eu comprei 0,9% das aes da United e me tornei seu maior acionista individual, com assento no conselho. Ali vou conviver com representantes de algumas das maiores empresas do mundo que tambm so acionistas da United. Quem sabe no me torno presidente do conselho...

O senhor est se preparando para isso? 
No sou o tipo que entra em algo para perder. Estou indo participar de um colegiado que s tem feras. Quero ser to bom e, depois, melhor do que eles.

O senhor j disse que seus filhos no vo lhe suceder na empresa. Eles no ficaram chateados? 
De maneira alguma. Temos um bom dilogo. Os dois trabalham na Amil, mas a filha, que  minha assessora, tem 33 anos e no quer ser minha sucessora. O rapaz, aos 22 anos, est no setor de fuses e aquisies e sabe que s ser presidente se for o melhor. Voc no conhece filho de nenhum cara famoso que faa sucesso na atividade dos pais. V ver o que fazem os filhos do Michael Jordan. Talento no  gentico, por isso minha sucesso no ser familiar. Imagine que o dono do time que tem o Neymar queira entrar no lugar do Neymar para fazer um gol. Ele no pode.  melhor torcer para o Neymar ganhar o jogo.

O senhor tem um favorito para a sucesso? 
Quando um cavalo se destaca violentamente, isso no passa despercebido. H uns quatro cavalos em que posso apostar. Gente muito boa, com 40 e poucos anos, que est crescendo. Mas, se eles bobearem, algum outro pode passar  frente.

Com a venda da Amil, o senhor deve deixar de ser o 23 homem mais rico do Brasil para se tornar o nono ou o dcimo. Est orgulhoso? 
Dinheiro  bom, claro, mas no estou preocupado com rankings. Quem tem 100 milhes de dlares pode viver to bem quanto o Carlos Slim (mexicano, presidente da Telmex), que tem 70 bilhes de dlares. Depois de certo ponto, aquele em que a pessoa tem mais dinheiro do que  capaz de gastar, no faz diferena. Mais dinheiro no se traduzir em melhor qualidade de vida.  o meu caso. O que me interessa  o trabalho. Eu nunca vou parar.


4. MALSON DA NBREGA  DE VOLTA S TREVAS ORAMENTRIAS
     Os governos do PT ressuscitaram danosas prticas oramentrias que haviam sido sepultadas na segunda metade dos anos 1980. Por elas, o ministro da Fazenda tinha o poder de aprovar despesas pblicas sem prvia autorizao legislativa,  moda medieval. Isso acontecia atravs de um oramento monetrio pelo qual eram transferidos recursos do Tesouro ao Banco do Brasil e ao Banco Central. Tais recursos provinham da venda de ttulos pblicos federais a taxas de juros de mercado. Nada se cobrava das duas instituies, que por isso podiam conceder emprstimos a taxas inferiores s do mercado e ainda assim auferir lucros. Qual a mgica?
     Na verdade, esse esquisito arranjo institucional gerava uma despesa pblica oculta, a qual, grosso modo, decorria da diferena entre as duas taxas de juros, a dos ttulos federais e a dos emprstimos. O gasto implcito nessas operaes era coberto por novas emisses de ttulos do Tesouro, numa espcie de rosca sem fim. Tratava-se, pois, de um oramento paralelo, que permitia a expanso indefinida da despesa e da dvida, sem o conhecimento do Congresso e da sociedade. Acontece que esse processo subterrneo manifestava seus efeitos na elevao do endividamento federal, na m alocao dos recursos e nas presses inflacionrias.
     Sob distintas formas, esse arranjo funcionou desde os tempos do Brasil colnia. Suas origens remontam ao absolutismo portugus, que sobreviveu por muito tempo  onda de reformas iniciadas na Europa no sculo XVII, as quais puseram fim ao arbtrio em questes oramentrias. O poder de dispor sobre a despesa pblica foi transferido ao Parlamento, um passo fundamental na longa caminhada rumo  moderna democracia. O rei no podia mais gastar a seu talante nem declarar guerra  que exige o aumento de gastos  sem prvia autorizao legislativa. Mais tarde, o oramento viria a ser o mecanismo bsico de planejamento das aes do estado e da promoo do desenvolvimento econmico e social.
     Por fora talvez das tradies herdadas da metrpole, o valor econmico, social e poltico do oramento no se enraizou na sociedade brasileira.  amplamente aceita a ideia equivocada de que o oramento  autorizativo. Salvo as despesas obrigatrias, admite-se que o Executivo pode no cumprir partes da lei oramentria. Neste momento de crise, a Europa  exemplo a ser observado: os cortes de despesas associados a programas de austeridade fiscal foram previamente aprovados pelos parlamentos, inclusive o de Portugal.
     A partir de 1986, o Brasil comeou a adotar saudveis princpios oramentados. Extinguiu-se o oramento monetrio, o que ps fim ao suprimento automtico de recursos do Tesouro ao Banco do Brasil e ao Banco Central. Criou-se a Secretaria do Tesouro Nacional, que assumiu a gesto da dvida e do oramento federais. A Lei de Responsabilidade Fiscal (2000) fixou regras para o controle da despesa e do endividamento da Unio. Subsdios e subvenes, explcitos ou implcitos, deveriam constar do oramento aprovado pelo Congresso. Esse ciclo modernizante ainda precisa ser complementado com a reforma do antiquado processo de elaborao e controle do oramento (Lei n 4320, de 1964), o que est em discusso no Senado.
     Os governos do PT deram marcha a r nessa trajetria. Passaram a suprir o BNDES de recursos via medidas provisrias que ampliam a dvida pblica, como no passado. Tm contado, para tanto, com a omisso do Congresso, que renuncia s prerrogativas no processo oramentrio e chancela essa conduta. Como nos tempos antigos, o Tesouro transfere os recursos a taxas de juros inferiores s que paga aos detentores dos respectivos ttulos. Recentemente, a manobra foi estendida ao Banco do Brasil e  Caixa Econmica Federal. Tal qual nas trevas do passado, o processo ressuscitado gera duas disfunes: (1) burocratas realizam gastos sem autorizao legislativa; e (2) os subsdios implcitos nessas transaes no constam do oramento. Sem o registro dos respectivos gastos e sem transparncia, dribla-se a fiscalizao do Tribunal de Contas da Unio (TCU). Essa involuo institucional precisa ser contida. Com a palavra, o Congresso e o TCU.
MALSON DA NBREGA  economista.


5. LEITOR
CHINA
Os lderes chineses esto sendo substitudos (O grande teste da China, 24 de outubro) e o mundo tem mesmo de ficar atento, pois as correes de rota l se refletem aqui.
JOS ELIAS SEIXAS NETO
Foz do Iguau, PR

A China ser a maior economia do planeta. Mas no cultivou os princpios democrticos. Por isso, os Estados Unidos continuaro sendo o centro de cultura, educao, produo industrial de qualidade e ptria das liberdades.
CARLOS FABIAN SEIXAS DE OLIVEIRA
Campos dos Goytacazes, RJ

No entendo por que os pases no cuidaram de minimizar sua dependncia da economia da China. Agora eles se curvam aos chineses.
MNICA SUANNES PUCCI
Por e-mail

Quero conhecer a China de perto. E logo.
EUGNIO LVARES DE MACEDO
Abaet, MG

Imaginar o mundo sem o consumo chins seria o mesmo que imagin-lo sem o petrleo da sia.
JOO PEDRO RODRIGUES
Rio de Janeiro, RJ

Parabns pela capa da edio 2292  bonita e criativa. Achei muito esclarecedora a reportagem sobre a China. A revista inteira est tima de ler. Obrigada e parabns pelas equipes competentes em todas as reas e que se superam a cada dia.
CLAUDIA TAVARES
So Paulo, SP

Excelente a reportagem sobre a China. Que os novos lderes chineses sejam capazes de normalizar a respirao do mundo.
MARIA MAGDALENA MAROUES
Goinia, GO

VALE-TRANSPORTE SUPREMO
Com referncia  nota Vale-transporte supremo (Radar, 24 de outubro), informo que no so apenas jatinhos executivos  patrocinados pela Universidade Gama Filho, para que Ricardo Lewandowski e Dias Toffoli, ministros do STF, venham dar suas aulas no Rio de Janeiro  que no foram pagos. Em dezembro de 2011, o ento reitor citado pela reportagem cometeu uma devassa pedaggica, demitindo cerca de 800 professores (doutores e mestres, na maioria) que faziam parte da histria da instituio. Esses professores at agora no tiveram os direitos trabalhistas ressarcidos nem os salrios atrasados pagos. Os acordos feitos na Justia trabalhista tambm foram desrespeitados.  doloroso ver que a Galileo (dona da Gama Filho) descumpre a legislao vigente sem sofrer punio. Tomando como base os atuais acontecimentos polticos, a reportagem de VEJA nos ajuda a entender o esquema.
EMLIA APARECIDA L. PERDIGO
Professora universitria
Rio de Janeiro, RJ

JULGAMENTO DO MENSALO
Louvemos o desvendamento das mazelas do mensalo pelo Supremo Tribunal Federal (A cadeia, passo a passo, 24 de outubro), mas, quando ouvimos as peripcias jurdicas do ministro Ricardo Lewandowski, ecoadas pelo ministro Dias Toffoli, podemos avaliar quo profundo vo os tentculos da poltica suja e nociva.
CARLOS DE O. PORCES
Bady Bassitt, SP

Nos meus 80 anos de vida, e como leitora de VEJA por mais de quarenta, sempre soube que a Justia  o equilbrio da nao. O nosso Judicirio tem nos seus quadros o excelentssimo Ricardo Lewandowski, ministro da nossa Suprema Corte, que em um dia condena dez, onze, treze e, em menos de 24 horas, absolve essas mesmas pessoas. Por que ser?
APARECTDA SERRATTI BARACAT
So Paulo, SP

 possvel que algum seja levado ao cargo de ministro do Supremo por causa de uma amizade de sua me com a primeira-dama do pas.  possvel tambm que essa pessoa venha a desempenhar essa funo com a presteza e a seriedade que ela exige, afinal  uma pessoa do meio e  por que no?  pode, sim, ter notrio saber. O problema  quando essa pessoa insiste em pagar o favor no exerccio do cargo, deixando claro a todos o real motivo pelo qual ali est.
JOO CARLOS MARCHEZAN
Campo Grande, MS

Confesso que no acreditava que os ministros do STF indicados por Lula fossem condenar os mensaleiros, principalmente os cabeas Jos Dirceu, Jos Genoino e Delbio Soares  como as excees, j esperadas, de Lewandowski e Toffoli, que agiram como advogados de defesa dos companheiros. Mas s passarei a acreditar realmente na Justia brasileira quando os mensaleiros j condenados forem para a cadeia e tiverem seus bens leiloados para ressarcir os cofres pblicos.
CARLOS CORREA DOS ANJOS
Rio de Janeiro, RJ

O notrio saber jurdico no foi subjugado pela notria submisso poltica.
ALEXANDRE MAIALI
Campinas, SP

O dinheiro desviado dos cofres pblicos ser devidamente devolvido pelos corruptos e corruptores? E o senhor Lula, todo brejeiro, fazendo campanha para a cumpanheirada. Est certo?
JOS CASSIANO DOS SANTOS
Presidente Venceslau, SP

Parabns pela excelente cobertura da condenao dos mensaleiros. As reportagens e os artigos de VEJA tm aliviado a alma e a indignao do brasileiro, contra a impunidade neste pas. Mas o alvio ser completo quando as acusaes aos mensaleiros chegarem ao poderoso chefo dessa turma.
VANESSA B. GAUCH 
Barueri, SP

DUDA MENDONA
O STF deixou claro, ao absolver o publicitrio Duda Mendona e sua scia, que qualquer brasileiro pode receber milhes de dlares no exterior, como pagamento de despesas feitas no Brasil, sem comunicar o fato ao Banco Central, que no ser crime de evaso de divisas ou lavagem de dinheiro, principalmente se for dinheiro pblico roubado. Que vergonha! (Hora de recomear, 24 de outubro)
IRAMAR BENIGNO ALBERT JNIOR
Recife, PE

A decepo na entrevista de Duda Mendona ficou por conta de sua eterna admirao pelo ex-presidente da Repblica  que foi a pior surpresa deste sculo, quando se fala de integridade.
ADEMAR MONTEIRO DE MORAES
So Paulo, SP

PASSAPORTES DOS CONDENADOS
Temo que seja tarde demais a deciso do ministro Carlos Ayres Britto de apreender os passaportes dos condenados no processo do mensalo s aps a definio do STF sobre o tamanho das penas. (Passaportes apreendidos, Holofote, 24 de outubro). No  exagero pedir que os aeroportos e fronteiras fiquem atentos.
JANE GLUCIA ANGELI JUNQUEIRA
Maring, PR

PASTORES MIRINS
Sou evanglica e digo que nenhuma congregao sria e comprometida com a palavra de Deus permite tal insanidade (Trabalho infantil, 24 de outubro).
MARIA BARROSO
Belm, PA

Os pequenos pastores visam apenas a dominar e emocionar o pblico que frequenta essas igrejas, com a finalidade de aumentar o rebanho.
ERIKA BARRETO FONSECA
So Paulo, SP

Religio  bom quando se tem maturidade suficiente para descobri-la e segui-la.
TATY COSTA
Mamanguape, PB

Sou evanglico e considero o cmulo do absurdo colocar crianas para pregar a palavras
LOURIVAL B. OLIVEIRA 
Sumar, SP

No ser surpresa se logo mais os pastores mirins estiverem indicando ou vetando nomes de candidatos a cargos eletivos, a exemplo das pajelanas tentadas por algumas igrejas, especialmente em So Paulo. Os adultos dessas denominaes so o contraponto dos pentecostais clssicos.
AROLDO MUR G. HAYGERT
Curitiba, PR

Fui secretrio nacional para assuntos da infncia na Igreja Presbiteriana do Brasil (2006-2010) e estive em todos os estados da federao ministrando cursos, palestras e congressos a quem lecionava s crianas. Jamais encontrei meninos ou meninas que tivessem esse dom de pregar. As crianas ainda esto no seu tempo de aprendizado. Deixem que as crianas sejam crianas na igreja. No as explorem. Segundo a Bblia, a criana aprende: Ensina a criana no caminho em que deve andar (Provrbios 22.6). O que disso passar  srio risco. Crianas no ensinam nem pregam. Pais ou outros adultos  que as induzem ou foram a isso.
JDER BORGES FILHO
Igreja Presbiteriana do Jardim Satlite 
So Jos dos Campos, SP

LYA LUFT
Tenho 17 anos e no votei no primeiro turno. O motivo? A escritora Lya Luft o destacou no artigo Os que no votaram (24 de outubro): o desestmulo com a poltica brasileira.
GABRIELLA MOREIRA 
So Paulo, SP

No dia da votao, um lindo domingo de sol, estava quente demais para ir andando at o local onde voto. Ento, por um impulso preguioso, decidi no votar. Fiquei arrependida.
NATALY S DE PASCHOAL
So Paulo, SP

No votei nas ltimas eleies e, a permanecer o quadro de lderes disponveis, no devo votar na prxima.
RONALDO CRUZ 
Caruaru, PE

Os que no votaram no podem depois fazer reclamaes nem julgamentos.
MARTA TOCHETTO PRIMO
Chapec, SC

J.R. GUZZO
O articulista J.R. Guzzo nos brinda com o texto Dias de ira (24 de outubro), em que mostra que o sol no se tapa com peneira, nem para os mensaleiros, nem para o ex-presidente, que fez uma confisso tcita de seu envolvimento com o mensalo.
VITOR MENEZES 
Boa Esperana, MG

J.R. Guzzo escreveu tudo o que os brasileiros indignados gostariam de dizer sobre o comportamento dos cardeais petistas e seus arautos patrocinados por verba pblica.
JOS MENDES DE SOUSA MOURA
Teresina, PI

A tentativa de colocar-se acima da lgica no  intil, pois tem penetrao na maioria da populao brasileira.  a grande massa de brasileiros que vive  margem da informao: estes so alfabetizados por decretos, no tm acesso  educao, enxergam o Supremo Tribunal Federal como algo incompreensvel, longe de sua realidade. A cpula do PT sabe o que est fazendo.
EMILIO FERRONI NETO 
Campos do Jordo, SP

MRV
Na reportagem Minha casa, minha vida (24 de outubro), nossa Construtora  citada nominalmente e de forma negativa, como se fosse responsvel por irregularidades trabalhistas e at por presses polticas exercidas indevidamente junto ao Ministrio do Trabalho e Emprego. Pela importncia dessa revista na formao da opinio pblica nacional e pelos danos que a abordagem equivocada da matria pode trazer para a imagem da Construtora, sinto-me obrigado a esclarecer os seguintes pontos: 1) A MRV no  e nunca foi uma empreiteira de obras pblicas. Somos uma Construtora e Incorporadora que atende diretamente o consumidor final, sem nenhuma intermediao governamental, como pode sugerir a leitura da matria publicada. Nessa condio de Incorporadora, temos tido papel preponderante na construo de moradias financiadas aos futuros compradores no mbito do programa Minha Casa, Minha Vida. E temos muito orgulho disso, como nos orgulha tambm o segmento em que atendemos outro enorme contingente de compradores no alcanados pelos programas governamentais de incentivo; 2) Temos uma conduta exemplar no que diz respeito s relaes trabalhistas e na gesto de um corpo de mais de 35.000 colaboradores diretos e indiretos. A companhia nunca apreendeu nem apreende documentos de colaboradores e todos eles tm contratos de trabalho regulares, com as suas carteiras de trabalho devidamente assinadas, recebem rigorosamente em dia as respectivas remuneraes (iguais ou frequentemente muito superiores aos mnimos legais) e so alvo de um grande programa interno de benefcios. Alis, essas so as razes que tornaram to procuradas as nossas vagas de emprego em todo o pas; 3) A nossa tradio em mais de 33 anos continuados de trabalho reconhecido no mercado, a nossa posio atual de construtores de mais de 40.000 unidades por ano, o atendimento idneo a mais de 200.000 clientes e o nosso objetivo de sermos reconhecidos como a melhor Construtora do pas nos levaram a iniciativas pioneiras na rea trabalhista, incluindo a manuteno de escolas para formao profissional e para capacitao de mo de obra; 4) Por razes que escapam ao objeto da presente, mas que somente poderiam ser vistas como fato natural com boa dose de ingenuidade diante de interesses conhecidos, a nossa Construtora sofreu, recentemente, mais de 200 fiscalizaes, semelhantes quela ocorrida em maro do ano passado e mencionada na matria de VEJA. H que destacar, no entanto, que esse nmero excepcional de fiscalizaes acabou servindo para apontar a regularidade e a conformidade dos nossos canteiros de obras em todo o pas.
RUBENS MENIN TEIXEIRA DE SOUZA
Presidncia
MRV Engenharia e Participaes S/A 
Belo Horizonte, MG

AEROPORTOS
A reportagem Um caos anunciado (24 de outubro), referente ao absurdo fechamento do Aeroporto de Viracopos durante 45 horas, mostrou de forma definitiva e irrefutvel a total incompetncia da Infraero na gesto dos aeroportos. O que se viu nesse caso foi um verdadeiro jogo de empurra- empurra. O curioso  que, nas recentes privatizaes, as autoridades deram mais importncia para estacionamentos, shopping centers e hotis nos novos terminais, mas no deram prioridade para novas pistas. H outra agravante, pois, no que se refere  navegao area, nas novas concesses no h uma palavra sequer a respeito da instalao do sistema para aterrissagem por instrumentos, o ILS-3 (em ingls, Instrument Landing System), que permite aterrissagens em qualquer condio de visibilidade.
HUMBERTO VIANA GUIMARAES
Engenheiro civil e consultor
Salvador, BA

NOBEL DA PAZ
Muito feliz a citao do filsofo espanhol Ortega y Gasset no texto A excepcionalidade europeia (24 de outubro), de Mario Sabino, a propsito do Prmio Nobel da Paz concedido neste ano  Unio Europeia. Com efeito, aos olhos de Ortega, a unidade da Europa no  s uma ideia nem apenas um ideal, e sim, segundo suas palavras. um fato de muito antiga cotidianidade.  um fato histrico h muito sedimentado na base da Europa  difcil de perceber, diz Ortega, porque a realidade da Europa no  nenhuma coisa, e sim um equilbrio de foras. A Europa , com efeito, um enxame: muitas abelhas e um s voo. Sua unidade  a solda de mentes e coraes. A cincia, a tcnica, a arte, a poltica europeias so uma s e a mesma, divididas entre suas diversas naes, desde a Idade Mdia at hoje.
GILBERTO DE MELLO KUJAWSKI
So Paulo, SP

ELEIO NOS ESTADOS UNIDOS
Assisti aos trs debates dos presidenciveis americanos. No primeiro, reconheo, Barack Obama estava aptico. Mas no segundo j demonstrou sua superioridade diante do adversrio, Mitt Romney, que culminou com uma participao notvel no terceiro, quando Romney provou que at agora no sabe a que veio. Poltica externa? um zero  esquerda (O milagre republicano, 24 de outubro).
LIGIA PIOLA
So Paulo, SP

KISS
Gene Simmons, baixista e vocalista do grupo, sabe conduzir sua carreira (A infncia do rocknroll, 24 de outubro).
MARCELO DE OLIVEIRA
Barretos, SP

USAIN BOLT
 difcil acreditar que uma prosaica batata-doce tenha sido fundamental para a conquista das medalhas olmpicas pelo jamaicano Usain Bolt (Fala a lenda viva do esporte, Entrevista, 24 de outubro). A Jamaica tem as caractersticas do Nordeste brasileiro, cuja maior riqueza  a cultura. Mas no custa tentar: atletas brasileiros, comam batata-doce.
KTIA AZEVDO
Natal, RN

Correo: a gravao do comercial em que Michele Gaertner Etzold dublou a atriz Sharon Stone foi feita em Balnerio Cambori, em Sarna Catarina (Conversa, 24 de outubro).

PARA SE CORRESPONDER COM A REDAO DE VEJA: as cartas para VEJA devem trazer a assinatura, o endereo, o numero da cdula de identidade e o telefone do autor, Enviar para: Diretor de Redao, VEJA  Caixa Postal 11079  CEP 05422-970  So Paulo  SP; Fax (11) 3037-5638; e-mail: veja@abril.com.br. Por motivos de espao ou clareza, as cartas podero ser publicadas resumidamente. S podero ser publicadas na edio imediatamente seguinte as cartas que chegarem  redao at a quarta-feira de cada semana.


6. BLOGOSFERA
EDITADO POR KTIA PERIN kperin@abril.com.br

SOBRE PALAVRAS
SRGIO RODRIGUES
A PANE
Pane quer dizer, segundo o Houaiss, falha no funcionamento do motor de automvel, avio etc., que geralmente provoca uma parada. Sem esquecer, claro, seu uso figurado informal como esquecimento momentneo; branco, claro. www.veja.com/sobrepalavra

RADAR
LAURO JARDIM
PC
PC Farias vai virar filme. A Terra Firme Produes orou em 1,6 milho de reais um documentrio sobre a vida pblica e privada do ex-tesoureiro de Fernando Collor. www.veja.com/radar

DE PARIS
ANTONIO RIBEIRO
HOPPER
Se vivo, o inventor da pintura americana moderna, Edward Hopper, ficaria contente de ver a mais profunda retrospectiva de sua obra acontecer em Paris, a Cidade Luz. www.veja.com/deparis

GENTICA
MAYANA ZATZ
NOBEL
O Prmio Nobel de Medicina para Shinya Yamanaka foi muito merecido. Ele mostrou que  possvel reprogramar clulas j diferenciadas para um estgio semelhante ao das embrionrias. Uma descoberta de importncia incontestvel. www.veja.com/genetica

VEJA NAS OLIMPADAS
ARENAS DE TIRAR O FLEGO
A arquitetura das arenas  uma das grandes questes em relao aos Jogos Olmpicos de 2016. Mais vale apostar no espetacular ou no prtico e barato? D para fazer as duas coisas, garante o presidente da Autoridade Pblica Olmpica, Mrcio Fortes. As nossas arenas tm de ser funcionais, atendendo a todos os requisitos do Comit Olmpico Internacional; tm de ser bonitas; e tm de ser espartanas nos custos. Esses trs itens so fundamentais, diz ele. A ideia , a exemplo do que foi feito em Londres, apostar em duas arenas de tirar o flego, para se tornarem a cara dos Jogos.
http://veja.abril.com.br/blog/olimpiadas/

MAQUIAVEL
ACORDO COM AT 6000 PGINAS
Aposta de um advogado que atua no mensalo: o acrdo, que reunir as decises e condenaes de todos os mensaleiros, ter entre 5000 e 6000 pginas e dever ser publicado em abril do prximo ano. Ser a partir da publicao do acrdo que os defensores comearo a apresentar os recursos contra as sentenas que eles considerarem desfavorveis.
www.veja.com/politica

NOVA TEMPORADA
JANE FONDA NA TV
Depois de fazer algumas participaes em The Newsroom, Jane Fonda encontrou um projeto de srie para chamar de seu. Now Wha:?  uma sitcom que conta a histria de uma jovem com dificuldade de se relacionar com a me. Ela cria o blog Querida mame,  por isso que te odeio, no qual desabafa todos os seus traumas. Ao ler o que a filha pensa dela, a personagem de Jane decide ir morar com a moa at conseguir resolver as diferenas que existem entre as duas, A produo do projeto  da ABC Studios.
www.veja.com/temporada


7. EINSTEIN SADE  LPUS: VRIAS DOENAS EM UMA
Sintomas podem ser diferentes de pessoa para pessoa. Por isso, o tratamento deve ser individualizado.

     O lpus  uma doena autoimune ocasionada por um desequilbrio do sistema responsvel por garantir o bom funcionamento do organismo, que passa a produzir anticorpos que atacam as protenas presentes nos ncleos das clulas, erroneamente identificadas como prejudiciais  sade. Os sintomas podem aparecer progressivamente ou evoluir de forma rpida e, por serem to dspares e singulares, tornam o tratamento difcil. A recomendao dos reumatologistas  de que ele seja o mais particularizado possvel.
     Apesar da complexidade e da variedade, a doena pode apresentar, inicialmente, sintomas como emagrecimento, leses cutneas, dor nas juntas, queda de cabelo, aftas, febre, perda de apetite e fraqueza. Os quadros mais preocupantes da doena envolvem o comprometimento do corao, crebro e rins, sendo a insuficincia renal a mais grave dentre todas as complicaes.
     No Brasil no existem dados exatos, mas a Sociedade Brasileira de Reumatologia estima que 65 mil pessoas tenham lpus e que a incidncia entre as mulheres seja nove vezes maior do que nos homens. Embora mais frequente em torno dos 20 ou 30 anos, a disfuno tambm pode acometer crianas e idosos.
     Os tipos de lpus cutneo (localizado) e sistmico so os mais frequentes. O primeiro  mais conhecido pelo aparecimento de manchas avermelhadas, principalmente na regio do colo, orelhas, mas do rosto e nariz. J o segundo costuma atingir diferentes rgos, membranas e grandes articulaes.
     Com tamanha variedade de sintomas, identificar o lpus exige minuciosa avaliao clnica e a realizao de alguns exames de sangue, de urina e de imagem. A dosagem do fator antinuclear (FAN)  uma importante ferramenta para um diagnstico preciso.
     A definio do tratamento vai depender das principais queixas do paciente e das manifestaes clnicas da doena. O mais comum  a utilizao de anti-inflamatrios no hormonais, cortisona ou imunossupressores.
     A proteo solar tambm  recomendada, j que o sol pode piorar alguns dos sintomas dermatolgicos. Alm disso,  essencial manter as taxas de colesterol em nveis normais, elevar a dose de vitamina D e adotar uma nutrio balanceada.
     Por ser uma doena crnica,  essencial o acompanhamento regular, que deve ser definido de acordo com o nvel de atividade e a evoluo do lpus.

Saiba mais sobre este e outros assuntos no site www.einstein.br
Sugira o tema para as prximas edies: paginaeinstein@einstein.br
Sua sade  o centro de tudo.
Siga-nos nas redes sociais:
facebook.com/hospitalalberteinstein
twitter.com/hosp_einstein

Responsvel Tcnico:
Dr. Miguel Cendoroglo Neto - CRM: 48949


